domingo, 2 de dezembro de 2012

Homenagem ao meu Pai


Esta foto foi tirada em outubro de 2010, em sua casa, quando cheguei da maternidade com Samuel. Meu pai já sentia o cansaço de uma doença inesperada, ainda não diagnosticada. 
Sorriso largo no rosto e uma memória que já se embaralhava. "Voz lenta e grave, a postura de quem não conheceu as delicadezas do mundo". (Padre Fábio de Melo. Orfandades, O destino das ausências).  

Este texto foi elaborado para homenagear meu pai, que nos deixou em 16/07/2012, com muita dignidade. Também como uma lembrança a todos que o admiravam.  

Por isso, desfrute da vida, porque debaixo do sol não há nada melhor para o homem do que comer, beber e se alegrar. E em tudo isso há a esperança de que essas coisas boas o acompanhem durante todo o tempo em que ele se esforça no trabalho debaixo do sol! (Eclesiastes 8:15)

Amigo Urso,
Saudações Polares...

Só quem o conheceu sabe que o nosso Amigo Urso, o nosso Devagar (para os colegas taxistas), o nosso Zizito (para os familiares), fiel torcedor do América, foi uma daquelas figuras marcantes.
E a maior “marca” que ele deixou foi sua família. Sua esposa Salete e suas filhas Mônica, Suzana, Verônica, Juliana, seus netos João Pedro, Marco Túlio, Luís Artur, Daniel, Samuel e sempre contou com o respeito dos genros Jorge, Glauco e Christiano.
De pouco estudo, mas de muita força e determinação para o trabalho. Durante sua vida ativa nunca o vimos de cama. Dizia: “se a gente deitar a doença monta”. Possuía uma saúde extraordinária (herança dos salles). Seis horas da manhã estava de pé, água fria no rosto, um café e estava pronto para mais um dia de trabalho.
Nasceu em Vargem Linda, mas partiu jovem de São Domingos do Prata para Belo Horizonte em busca de trabalho, assim abriu caminho para que sua grande família se estabelecesse em Belo Horizonte.
Desses homens antigos, conservador, patriarca daqueles que em casa manda e desmanda, gostava de ser servido, presença forte perante sua esposa e filhas.
Muitas vezes impulsivo, atirado, agressivo, desconhecia limites (especialmente quando bebia) e ao mesmo tempo sentimental, manso, devagar. Carregou o humor irreverente dos Salles e a “leve” tendência ao álcool. Em contrapartida, havia dentro de si uma melancolia que só quem conviveu, muito próximo, conhecia. Uma tristeza refletida no fundo de seus olhos baixos. Com a mesma intensidade que viveu seus vícios, parou por força própria (e com a ajuda das orações fervorosas de sua esposa e filhas), mas na velhice teve que conviver com a conseqüência dos anos como fumante, seus pulmões foram duramente afetados. Fica um alerta para todos que ainda não se libertaram desse vício, busque ajuda quanto antes.
Não sabia como demonstrar, mas tinha um profundo temor de Deus. Gostava da vida, sempre ajudou sua família e seus irmãos quando precisavam. Possuía um carisma, quem gostava dele era compassivo com seus defeitos. Grandes amigos como tio Wellington e o dedicado irmão Tio Nonô merecem nosso respeito pela paciência e carinho com que lidavam com nosso pai. Sempre presentes, principalmente, em momentos difíceis. Até as crianças da família gostavam muito do seu jeitão. Na realidade possuía virtudes de um grande homem como senso de família, impetuosidade, coragem, senso de dever, determinação, em contrapartida, era como uma criança simples, desajeitado, engraçado, sem vaidades.
José Prestes Sales deixa uma família estruturada. Uma esposa dedicada, exemplar, quatro filhas formadas, cinco netos lindos, e uma saudade de ouvi-lo cantar: “Amigo urso saudações polares...”  
                
Lembre-se o que diz a palavra de Deus:

  Jesus disse: Eu sou a ressurreição e a vida. Todo aquele que crê em mim, mesmo que morra, viverá. (João 11:25,26)
Crendo na ressurreição, temos a certeza de que ainda nos encontraremos mais uma vez para desfrutarmos a vida eterna na doce companhia do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

 Juliana Sales Leal



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